quarta-feira, 21 de junho de 2017

O que dizem os leitores de CARTAS DE AMIGO E MALVIVER

O que diz Zi Lucena:
"Cartas de Amigo e de Malviver", de Manuel Rodas

Amigo Rodas parabéns pelo seu livro. Como sabe em 1958 foi a minha vez de passar pelo Colégio de Freiras de Ponte de Lima. A minha experiência não foi igual à sua porque eu não era aluna interna. Mas o obscurantismo e a falta de respeito pelo ser humano eram já o ambiente que lá se vivia. Diz no seu livro que não tentou fugir porque sabia que o traziam de volta. Pois . . . eu fugi e claro, apanharam-me e paguei por isso. Se fosse hoje voltaria a fugir, talvez tivesse sorte e apanhasse boleia num carro de bois na estrada . . . Um abraço


O que diz Mónia Camacho:

... Há neste autor, no Manuel, uma simplicidade reconfortante e a sua mais valia será uma verdade que transparece do texto. O tom biográfico ajudará a manter visível essa verdade. Mas também ressalta uma certa coragem de expor vivências e sentimentos que estavam lá sossegados no passado.

Quanto a estas cartas dirigidas a este amigo, que tomei por imaginário, ... há a dizer que qualquer leitor será imediatamente tomado pelos sentimentos de saudade, solidão, medo, angústia e frustração deste narrador. Ficamos por dentro de toda a incompreensão que sente com o seu aprisionamento naquela realidade violenta, tão longe do que precisava naquela idade. O abandono à sua sorte pelos pais a quem está obrigado a cumprir expectativas.

Esta história retrata ainda uma realidade portuguesa que tem como valores, mesmo acima da felicidade, a instrução para alcançar uma boa posição na vida. Um estatuto que descansará os progenitores e os fará alcançar o sentimento de dever cumprido. E de caminho nos vai dando o tom do que se vivia num Portugal fechado por contra-ponto com uma França já com valores de liberdade visíveis na vida do dia a dia.

O estatuto da criança, à época, como um ser sem voz, completamente manietada na vontade, um ser que se tem de submeter ao mundo em que se encontra é outro dos pontos focados neste livro ... e que sentimos com muita acutilância.

Aflora também a contradição resultante do contraste entre valores que a igreja apregoa em comparação e a actuação dos padres no ensino das crianças.
A profundidade da mágoa do narrador é também dada por uma certa repetição dos sentimentos relatados, como se houvesse sempre um acumular de dor que é dessa forma expressa. Um recalcar ou repisar dos sentimentos de aprisionamento e de violência.
Uma outra coisa evidente é a forma como um lugar bonito pode tornar-se insuportável do ponto de vista psicológico. Talvez nos lugares feios estejamos mais à espera da fealdade nos sentimentos e acontecimentos. Não raras vezes o narrador elogia o jardim e a sua beleza, mas depois essa beleza não se prolonga para o espaço de vivência da personagem.
De notar também a visão do feminino que o autor tem pelos olhos daquela criança e depois adolescente. A forma como a professora é o elemento “Oasis” no meio do ambiente hostil. Como é a porta para o sonho e para a expressão aspirações de liberdade do narrador.
Na verdade, ainda hoje o Manuel tem o olhar sonhador que esta criança-narrador nos mostra.
Se calhar, muitas pessoas se vão identificar ou identificar as suas infâncias com este livro. Há aqui um retrato que é importante também do ponto de vista da análise sociológica. Um registo documental apesar da forma como nos aparece relatado, em forma de história.
O que diz Jorge Adelino Ribeiro Pires:
....antes de ler e apenas pelo titulo e a nota de contra capa, temia um relato desiludido e pessimista. Afinal identifico um registo autobiográfico de grande coragem com a carta final carregsda de esperança e otimismo consciente...a nota final é uma invenção do perdão sem pieguice... estou a gostar, e até a identificar.me com muitas situações e sentimentos.
parabéns, de novo. Um abraço amigo

O que diz Alice Barreira:
"E posso garantir que o livro é tão bom que se começa a ler e não se pára! Parabéns!"

O que diz Carmo Alves:
" Eu ... senti um murro no estômago ao lê-lo..."

O que diz Ana Rodas:
" Ansiosa, por lê-lo."

O que diz Clara Correia:
" Parabéns! :) ... que some & siga!"

O que diz Vera Tormenta Santana :
Cartas de um rapaz "teenager" a um amigo escritas de dentro de um ambiente concentracionário, um colégio interno religioso nortenho para rapazes, para fora, entre 1967 e 1971. Tomar a palavra censurada, quebrar o silêncio imposto terá sido um dos objectivos do autor, Manuel Rodas, meia década mais tarde. ....
Se é importante não apagar a memória, é fundamental construí-la e esta, a dos jovens que queriam e podiam - um dia, findo o Colégio - frequentar um Liceu numa capital de província, não é uma memória partilhada e, muito menos, colectiva. As "Cartas de amigo e de malviver" são uma primeira janela para o mundo silenciado e infernal dos Colégios internos fomentados pelo Nacional-Catolicismo. Obrigada, Manuel Rodas, pelo livro. Parabéns por ousares dizer o ainda não-dizível...
Li o livro de uma vez e visualizei cenas para um filme. As Cartas são muito físicas - um colégio de rapazes - e tudo acontece num huis-clos até um determinado momento, o da liberdade...

O meu avô Marujo




O meu avô Marujo tinha longas pernas
E mãos grandes
Que tapavam os olhos
Para não ver a serra dentro dele.
Quando as longas pernas
Ficaram cansadas
Falava com a burra branca
E iam os dois ver a serra
Que não podia esconder dentro dele.
Os filhos ofereciam-lhe palavras
de saudade e consolo.

Ele respondia : E eu que vos pedi?

MR

sábado, 17 de junho de 2017

Noites de Carcavelos

Pai

Releio -te, pai
E vejo as tuas mãos grossas
A sulcarem o papel
Com arados de tinta

Abrias caminhos para mim
Enfeitados com as flores das letras
Nem eu sabia andar ainda
Nem sabia o peso da tua herança feliz

Pai
Qual o melhor caminho para ser pai?
Esta floresta mal me deixa ver
As tuas mãos ägeis e os teus passos firmes...

MR

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Rio Douro



Este é o Rio Douro que poucos conheceram.

Antes da construção das barragens o  Rio Douro era turbulento e perigoso.

Navegar pelo rio,exigia homens corajosos.

As barragens acalmaram as águas do rio.Hoje o rio é uma aprazível rota turística.

O barão de Forrester, produtor de vinho do Porto, morreu precisamente
no Cachão da Valeira (que se vê no filme), quando o barco que o
transportava (a ele e a D. Antónia Ferreira - Ferreirinha), se virou.
O corpo do Barão nunca apareceu.



https://vimeo.com/98925113

terça-feira, 13 de junho de 2017

Aqui

Aqui aprendi o luar do só
E a força da noite escura
Era preciso viver contra as pedras
Que me entravam nos bolsos vazios

Tu não sabias de nada
Nem de mim

Quando pude aspirar a flor
Já as mãos tinham envelhecido
E os olhos
Se recusavam a ver mais longe

Tu estavas morta
Por dentro à espera dum milagre
um beijo que nunca aconteceu...


MR

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Alô Roménia. Divulgue meu blog! Obrigado

Visualizações de páginas por país esta semana! 

Gráfico dos países mais populares entre os visitantes do blogue
EntradaVisualizações de páginas
Portugal
339
Estados Unidos
131
França
26
Bélgica
9
Alemanha
9
Reino Unido
6
Espanha
5
Brasil
4
Romênia
4
Canadá
3

ROMANCIDO

Comecei hoje este romance ou história...
Ainda não sei como vai acabar, mas sei que muito vai demorar...


ROMANCIDO

Por letras, palavras e versos navegando
Vou agora contar  o que se passou
Numa idade distante, mas bem próxima de cada um.
Sou apenas o relator do que vejo, 
Sou observador, ouvindo os vagueios e explanações 
De quem não sabe porque está, mas vais ficando...

Consulto a memória e os apontamentos 
Que na altura tomei nota e boa falta me fazem
Prometo ser fiel ao senhor que comigo desabafava
Pedindo desculpa, se por qualquer omissão for responsável
Mas será atraiçoado pela memória e não pela vontade de errar
Que para tanto não tenho nem engenho, nem vontade.

Comprometido consigo mesmo
Procura na neblina dos nascente e poentes
A impressão de ser o mundo bem mais curto e limitado 
Que os relatos e escritos desde a antiguidade de navegadores.
Faúlha a incendiar-se, ao espelho escuro
ver-se e rever-se e... para tanto não se reconhecer.

continua...