quinta-feira, 19 de outubro de 2017

MOINHO na Amadora!

Paradela




Eleutério, acabada a obra na Coroa, Adrão, almoçou, despediu-se do guarda, que entretanto tinha sido nomeado pelos serviços florestais, disse adeus aos carpinteiros que no largo construiam as janelas, portas e mobília para  a casa e outros trabalhadores presos ao amanho das obras do quintal.
Arrumou os poucos trastes que tinha – a mulher e os filhos já tinham levado o resto para Soajo – e meteu pés ao caminho, em direção à Cascalheira.
Tanto do lado norte, onde ficava a sua aldeia, como deste lado, a serra era-lhe familiar, as pedras no caminho, as giestas e tojos, urzes e carrascos, o cheiro das flores aquecidas pelo intenso calor, o piar dalgum passaroco e o estremecer dum arbusto, perante a fuga dalgum coelho ou perdiz.

Quem anda muito tempo sózinho pela serra e a isso não está habituado, vai pela mão do pensamento que o arrasta para locais reconditos da imaginação e recordações mais íntimas do ser. É uma forma de o caminhante solitário se esquivar à solidão da serra e ao esforço do caminho. Essa visita às áreas mais obscuras do pensamento, para além de fazer o tempo passar, sem dele se dar conta, favorece a reflexão e o auto-conhecimento.
Para os mais imaginativos, pode descambar em paisagens tão intimimanete coloridas e impossíveis que só um reparo da razão o pode trazer de volta à realidade deste mundo adverso e desta serra carregada de urzes e tojos que se agarram às perneiras das calças trespassando-as de tempo a tempo. São os tojos que trespassam as calças e os pensamentos, a alma.

Eleutério tinha-se metido por estes últimos caminhos. Os filhos crescidos, a mulher com terras para amanhar e dias para trabalhar para fora, a subsistência garantida – salvo alguma doença má e algum vizinho ruim – que sentido fazia a vida dele longe da sua família? O que o fazia andar perdido por estas serras, as costas curvas e as mãos calejadas? A maior parte do tempo sózinho, a falar com as pedras? Porque fazer casas para os outros e não ter uma casa própria, condigna e espaçosa? A casa onde viviam, quer dizer, onde vivia a mulher e os filhos era pequena e sombria, cozinha e uma divisão para duas camas, tinha sido dos pais da esposa. E lá se criaram todos desde o tempo dos bisavós. Porque não fazia um intervalo nos seus trabalhos e ia para junto da família e melhorava a sua própria casa?  O que tinha amealhado garantia-lhe uns anos de descanso.
Porque tinha saído de Riba de Mouro? Porque viera assentar casa e pé posto em Soajo?
É verdade que a mulher era linda e tinha um peito farto, umas ancas largas e uns olhos como a lua cheia em noite de S. João. Aquilo foi um fogo que os ateou e teima em arder, ainda hoje.

A minha Teresa...

Os soajeiros tinham-no acolhido bem. Segundo diziam, parece que acolhiam melhor os forasteiros que os da terra. Mas isso eram coisas lá deles. Havia quem explicasse que era um costume que vinha dos antigos e se enraizara nos hábitos de todos.
Já tinha passado pela Chã da Porca, Châ dos Pinheiros, Portela do Galo para os da Várzea e Poulo para os de Paradela.  Caso curioso, como o mesmo local pode ter dois nomes diferentes, mas  prestar-se a confusões.

Diz um, Vou à Portela do Galo.
Diz outro, Não vou contigo, que tenho de ir ao Poulo.
Quando lá se encontrarem ainda podia haver barulho e chamarem-se nomes de zangados, porque um acusava o outro de mentiroso.
Mas eu disse a verdade, disse que vinha ao Poulo.
Mas não disseste que vinhas à Portela do Galo?
E não vim, eu vim ao Poulo.

Estão a ver a confusão? - pensava ele, a pedir ajuda a um sorriso irónico. A vida tem tantas destas confusões...
Olhou em redor e a vista já cansada de ver tanto verde, em Portugal e na Espanha, foi desviada pela sua preocupação profissional, pedras. Um monte de pedras grandes e pequenas e de bom corte – pensou para si a sorrir. Aqui é que se podia fazer um castelo.

Antes de começar a descer para os Garfos sentiu um ruído e de imediato um leve eriçar na espinha. Ainda lhe faltava  um bom bocado até à Mina Nova.
 Não havia notícia de algum lobo ter atacado um homem. Mas esse receio tinha-se alojado no mais fundo da alma serrana e havia sempre um estremecimento quando a hipótese surgia com alguma probabilidade de acontecer. Não que fosse fraco de braços. Rijos eram eles e com eles tinha partido tanta pedra que se sobrepusessem, poderia ombrear com as escadas da senhora da Peneda ou fazer sombra ao Outeiro Maior. Mas um lobo não é apenas um lobo. Um lobo é também aquilo que eu penso dele. E ouvi tantas histórias de lobos... e nenhum era bom. Eles atacavam, eles comiam, eles vinham de noite, eles eram os lobisomens. Sorriu. Bem isso eram histórias antigas que a modernidade não confirmava.
Mas um lobo ou vive sózinho ou traz outros atrás. Traz fome e quem sabe, lobetes na toca, para alimentar.
Tal como ele.

Chegado à vista da Mina Nova, já mais tranquilo, deixou cair os pertences, soprou uma pedra centeia a meia altura e sentou-se,  desapertou a bota do vinho, bebeu um golo longo, para sossegar o que durante o caminho tanto o tinha desassossegado.
Voltou a suspender os pertences ao ombro, levantou-se e passados poucos minutos  nem teve tempo de suspirar, quando a vista se alegrou,  surpreendendo-o,


Tinha chegado a Paradela.

MRodas

A nova expansão da Língua Portuguesa,

A nova expansão da Língua Portuguesa, segundo este Blog, Palavras a Solta, no último mês!

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Espanha
23
Brasil
22
Suíça
22



Guernica 3 D e o fogo


Esta vaga de incêndios trouxe-me à memória a célebre pintura de Picasso. 
Dolorosa a minha associação....

https://www.youtube.com/watch?time_continue=68&v=mj14pBzle8s

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O moinho de vento



Eleutério

Se havia um homem capaz de construir uma casa toda em pedra, em granito, de baixo até cima, esse homem era Eleutério, Lautério como lhe chamava o povo.
Desde as fundações, até ao telhado, parede por parede e divisão por divisão formava-se-lhe uma imagem na cabeça, só constituída por linhas e retas e depois era só segui-la. 
Claro que era preciso escolher a pedra, escolher o corte, e como caixas de fósforos montá-las umas sobre as outras, compondo num lado, rematando no outro e ajustando com a régua de madeira e o fio do prumo.
Mas não estava sozinho nessa tarefa. 
Os serviços florestais tinham contratado uma série de pedreiros e carpinteiros, ferreiros e duas cozinheiras, para construírem a casa de Adrão. Os primos Caturros tinham vindo com ele e dedicaram-se a fazer o carvão na serra. Subiam à floresta e desciam aos infernos a carbonizar os troncos de urze e giesta, soterrados por terra e pedras.
Já se tinha decidido o local onde iria ficar a casa, acima da aldeia, o distante necessário para que não existisse familiaridade com o povo e perto da serra para controlar a floresta e seus inimigos, os gados e os fogos e pior ainda, as pessoas. Para o engenheiro dos serviços florestais, todo o mal estava nas pessoas que não respeitavam, cortavam e abusavam da floresta.
O engenheiro mostrava os planos a Eleutério. Aqui a entrada, a cozinha, à esquerda as arrecadações e à direita um quarto. Em frente a casa de banho e outro quarto à direita e mais duas divisões à esquerda, um escritório e outro quarto de visitas. Portas e janelas e uma chaminé. O telhado viria mais tarde.
A partir daquele momento, o pedreiro gravava essa imagem da casa na sua mente, inventava uma história, imaginava a mulher do guarda na cozinha, o guarda no escritório e os filhos, uns a dormir nos quartos, alguém na casa de banho. Nas arrecadações guardavam alfaias e outros trastes necessários. Em volta da casa via as crianças a correrem e a brincarem.
Ele ainda não conhecia o guarda mas imaginava. Também ele gostaria de ser guarda-florestal, se fosse mais novo, mas a vida não calhou. Por este meio, dando significado aqueles espaços desabitados, o desenho ganhava vida e dali até à casa erguida em pedra, era um salto na cabeça e muito trabalho nas mãos e braços e esforço no corpo todo.
Sim, fazer uma casa de raiz até ao teto, com tantas divisões, tudo a poder de braços não é obra para qualquer um. É preciso muito querer, muita vontade e fé.
Desde cedo começou a trabalhar com o pai e o avô nas pedras, na reconstrução duma igreja em Riba de Mouro, onde nascera, casas nas aldeias vizinhas e foi o guarda de Monção que o indicou ao engenheiro. E ele ali veio parar. A serra era a mesma, a serra de Soajo, apenas no lado oposto onde tinha nascido.
Os outros traziam as pedras ainda em bruto e ele com o martelo e ferro acabava-lhe os contornos, definia-lhe as feições e determinava o local onde iriam repousar. Na periferia da porta, nas agruras do vento norte, nos contrafortes do lado sul ou nos contornos da janela.


Era domingo e festa no Senhor da Paz, o padroeiro daquelas redondezas. 
Eleutério tinha desafiado a mulher e dois filhos a virem à festa. Já tinha sido a missa, procissão e rematação. Este ano o arraial estava abonado e os lances renderam bom dinheiro para o padroeiro. Tudo desapareceu, até uns tamancos e uma albarda dum burro que uma mulher ofereceu em paga duma promessa.
Algumas vacas já tinham sido transacionadas mas ainda faltavam umas três ou quatro que resistiam aos ânimos dos regatões e à desilusão dos donos. E duas éguas a quem o comprador tanto desejava, mas o dinheiro não crescia.

 Os habitantes levavam os convidados para almoçarem em suas casas; os outros romeiros estendiam as mantas à sombra dos carvalhos e depois de abrirem seus açafates, disfrutavam o que tinham trazido, ovos de cor castanha cozidos, com cebola, chouriço, presunto e galinha estufada. Tudo acompanhado com boa broa de milho e centeio e vinho da bota. 
Mais logo será o baile e os ajustes de contas, para quem tem contas atrasadas; o Senhor da Paz a todos ouvirá e neste terreiro se fará o que tiver de acontecer, gritos de mulheres, escaramuças e algumas cabeças rachadas, tudo fruto de amores contrariados e malquerenças de vizinhança por resolver.
José da Eira aproxima-se do grupo onde estava Eleutério e depois das apresentações iniciais e cordiais de quem está interessado numa aquisição, fica a saber que a Casa da Coroa, da Guarda Florestal está prestes a acabar. As suas artes de pedreiro afamado serão requisitadas para outras bandas, quem sabe pra Vila de Soajo ou arredores.
De pé, cabelo penteado ao lado esquerdo e cara lisa, brilhante do sabão da barba, encostado à sua vara de marmeleiro, conta José da Eira o seu projeto, um moinho de vento, redondo do cimo ao fundo, como naquelas redondezas nunca se vira antes. Dum lado estende-se a vista da Várzea à Peneda e ao Olelas. Do outro, Paradela e as serranias desde Espanha, Lindoso e Amarela até Viana. 
Será Eleutério homem para uma coisa igual?
De pé, com a mão esquerda caída e a direita a afagar as curvas dos queixos, o cabelo revolto, franze o sobrolho e vai dizendo para si próprio, 
é uma casa em redondo… espeto oito estacas no chão e faço um circulo. Se todas as pedras tiverem a mesma altura e largura só lhes acrescento a redondeza… e depois é subir por ali arriba, deixando espaço para uma porta e duas janelas.
Adivinhando-lhe os pensamentos acrescenta o outro,
 E escadas no interior para subir ao primeiro andar 
Claro, claro, diz Eleutério. Bem nunca fiz uma coisa assim, mas não sou homem para recuar. Sou de Riba de Mouro e não volto a cara a um desafio. Eu e os meus dois ajudantes faremos esse palácio.
Palácio? Bem, não é um palácio, é antes um mirante do palácio. O palácio é esta serra toda, cheia de verde, é este azul que nos protege, estes barrancos que nos escondem e revelam. A serra é o palácio onde sou mais livre e donde grito aos outros a alegria que tenho de estar vivo.
E o telhado?

O telhado fica por minha conta. Virá da Póvoa de Varzim, dizia o contratante, enquanto muda a vara de marmeleiro da mão esquerda para a mão direita e olha a serra, desde Outeiro Maior até à Cascalheira. Ainda não sabe, ou finge que não sabe, porque os mistérios da mente são difíceis de adivinhar, mas é na memória dos moinhos da Ajuda, em Lisboa que vai buscar todo esse encanto, essa fantasia prestes a tornar-se realidade. Um olhar que do alto da Ajuda sobrevoe Belém e atravesse o rio para a outra margem.

MRodas

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Dois filmes de Carlos Silveira


Deixo aqui dois filmes de Carlos Silveira. O primeiro mostrando uma interpretação original sobre as Mordomas, nas festas da Srª Agonia, em Viana do Castelo.
O segundo convida-nos  a um percurso mítico de Valença a São Tiago de Compostela. 
Atrás dos dois sempre a motivação religiosa e as possibilidades criativas da interpretação popular.

A exaltação das imagens através duma música exaltante obriga-nos a novas interpretações.
Obrigado, Carlos Silveira

  1. Vestidas de ouro


2. El Camino 
https://vimeo.com/236199602

Adeus

Tenho os pės doridos, os ramos partidos e as folhas arrancadas pela emergência dos dias burocratas

Tudo o que acreditei se esvai na seiva perfumada da madeira dura e...decepada

Despedi-me dos pássaros e insectos. Disse adeus às borboletas e ao riso das crianças. Não mais cães, não mais luar nas minhas filhas e raízes. Nem nas tuas. Não mais velhinhas à sombra, presas por um saber esperar, que só elas e eu sabemos

Ainda não vieste à janela e veres que fui, já não sou. Agora as primaveras serão iguais aos teus invernos. Eu jä lá não estarei para te fazer sorrir

Ainda acreditei em ti! Aguardava todos os dias que passasses ao fim do dia e voltava a ver-te todas as madrugadas. Sorrias e passavas a tua mão doce na minha pele

Nasceram filhos e a vida era uma promessa. Acreditei ser forte e feliz

Agora
morro nos dentes cruėis deste quotidiano  absurdo

apenas resta no ar, o perfume acre da minha seiva e da memória desenhada da nossa história, em cada anel, em redor do pescoço e do meu destino

Adeus

MRodas

domingo, 15 de outubro de 2017

As tuas cores

Vaporosa

Eram as cores
que se agarravam a ti
te seguiam teimosamenre
onde quer que fosses e seguisses

Mas era o amarelo e azul
que mais volteavam
te abraçavam e se misturavam
em todos os cambiantes e perfumes

Æs vezes beijava as cores
pensando que eras tu
dançava com elas
pensando que éramos nós

Era por isso que não tinhas ciûmes
vias tudo a preto e branco.

MRodas

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Alforreca



Vejo-te ao longe  e estremeço
és tu, a alforreca.
Vens dengosa, sem coluna vertebral
a sorrir um picadela
na brochura do teu braçal

Bates-me nas costas
e com um simples olhar 
tiras as medidas do teu engano
a calcular, o que podes ganhar

e eu sinto-me mercadoria
um valor desejado
que se não tenho cuidado
acabo a ti abraçado.


Vai, alforreca
vai para outro lado
deixa-me em paz
seguir o meu fado
enquanto escrevo,

A alforreca, aqui jaz!

MRodas

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Partes de nós

Sou agora muitos
Tu ės concerteza outros tantos ou mais ... 
Qual parte do que somos
Ama a outra parte? E qual parte?

Quais as cores do meu caleidoscópio
Se sentem atraídas pelas tuas?
Quais as tuas cores que se querem diluir nas minhas?

E quando as tuas cores afastam as minhas que menos gostas
Ou as minhas recusam as tuas...
É nessa altura que chove
e a àgua fertiliza a terra
o rio lava as margens
e tu me prometes os beijos?

Ou sou eu que me refugio nas palavras
à procura da identidade que criou o nosso amor
e te afasta levemente a dizer, agora não...

Sei que é nessas alturas
que um de nós se esconde atrás das pedras
a rir
como nunca ninguém riu!

MRodas

Sou eu?


O amigo Carlos F. publicou numa rede social:
Adivinha quem vem jantar
MRodas, fotógrafo, romancista, amigo e sobretudo motard.

Foi preciso ele dizer isso para eu acordar para as minhas identidades.
São os outros que nos dizem quem amar
E nos recordam que somos mais que aquilo que julgamos ser.

Eu julgava ser professor
A minha filha apresenta-me como pai e a esposa como marido
E os irmåos, como irmåo
O vizinho como aquele que anda na vida dele.

São os outros que me constroem com as minhas novas identidades!
Para ser eu
Tenho de aproveitar as oportunidades que as circunstancias me vão dando...
E com isso em mente
Serei livre
Para ser o que quiser ser!

MRodas

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O tempo

O tempo mudou muito

Agora em outubro
Vai se â praia
Depois das eleiçoes
Depois da Republica
E antes do congresso
Das oposições!

Quando chegarmos ao natal
Já vai haver sol para todos
E na páscoa
A UE decreta
Que a fome acabou
E os refugiados são pessoas como nós

Talvez lá pró verão a Catalunha tenha conquistado Madrid
Nessa altura
O Trump vai decretar
Que finalmente os EUA
Se mudam para América do Norte

O  Putin dá gelados
E o da Coreia do Norte vende pipocas


O tempo vai mudar, ai isso vai!

MRodas

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Breve

Vou

V o u
Folha
Gota
Agua
Rio
Viagem 

Nao chegar e nao partir
Evaporar-me
Secretamente
Numa particula qualquer
Até à não escrita
Não memória
Dissolver-me no tempo...
Voltar ao nada
Para voltar a ser

MRodas

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Caravana XVIII










Quando fomos atacados
Cada um disse o seu nome
Os atacantes não resistiram e fugiram todos

É a necessidade que nos move e empurra para a fala

MRodas